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Cadastro Positivo: a revolução da informação no mercado de crédito

A discussão sobre o Cadastro Positivo tem sido acirrada: de um lado, aqueles que acreditam que as informações do consumidor podem ajudar o mercado de crédito; do outro, os que temem o uso indevido das informações.

Fato é que essa nova forma de análise de crédito, com aumento significativo de dados, é uma evolução não somente para as empresas concedentes de crédito, como bancos, financeiras e comércio, mas também (e principalmente!) para o consumidor ou empresário que precisa do financiamento para um sonho ou imprevisto financeiro.

Para entender como isso funciona, gosto de usar uma analogia. Toda vez que fazemos o seguro de um automóvel, várias informações são levadas em conta: modelo do carro, onde o veículo será usado e estacionado, a idade e gênero do motorista e até o histórico de multas. A partir de todos esses dados, o valor cobrado pelo seguro é calculado. Dessa forma, em vez de cobrar o mesmo valor (elevado) de todos os consumidores, a seguradora consegue atribuir um preço de acordo com as características de cada motorista. E faz sentido! Um motorista com pouca ou nenhuma multa, por exemplo, deve, sim, ter um valor menor, porque se pressupõe que é alguém mais cuidadoso do que aquele que já foi multado repetidas vezes.

No mercado de crédito, ajudado pelo Cadastro Positivo, teríamos panorama similar: o histórico de crédito e pagamento do consumidor dá ao concedente de crédito as informações necessárias para a análise do risco de inadimplência. Há uma evolução significativa em relação ao dado de negativação que temos hoje: em vez de uma única foto, o consumidor consegue mostrar um filme que conta uma história muito mais completa! Não há apenas dois tipos de consumidor: o negativado e o não negativado. O espectro aumenta e cada um tem taxas de juros de acordo com o histórico de crédito e pagamento.

Para que a avaliação seja individualizada e assertiva, é importante que o Cadastro Positivo abarque o maior número de pessoas físicas e jurídicas, como prevê a nova redação da lei. E como fica a proteção das informações nesse contexto? A lei também contempla esse ponto: as informações só poderão ser usadas para finalidade específica de análise de crédito. E os bureaus de crédito, os guardiões dessa informação, ficam sujeitos às sanções previstas em lei.

A expectativa otimista para o Cadastro Positivo no Brasil é confirmada pela experiência internacional: a maior parte dos países em que o Cadastro Positivo foi implantado registrou ampliação do acesso ao crédito. As populações mais beneficiadas foram justamente aquelas que mais precisam: a população de baixa renda e aquela com menor acesso à bancarização. São reflexos positivos (e significativos) na economia que seriam muito bem-vindos no nosso país.

Por Marcela Kawauti Economista-chefe do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil)