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Comportamento financeiro dos jovens

Aos vinte e poucos anos, hábitos tradicionais e inovadores se misturam na hora de lidar com as finanças

Quando se é novo, tudo é festa. Juventude é sinônimo de transformação, crescimento, disruptura e busca por novas expressões, ritmos e identidades. A Geração Z reúne os nascidos entre 1995 e 2010, que hoje têm entre nove e 24  anos. Eles são considerados os primeiros nativos de um ambiente tecnológico definido pela mobilidade digital e pela onipresença da internet e das conexões em rede. Como consequência da hiperconectividade, é a primeira geração a crescer e chegar à vida adulta tendo acesso online e instantâneo, desde cedo, a grandes quantidades de informações.

O período perto dos 20 anos geralmente é marcado por estudos e inicio da vida profissional, busca por um lugar no mercado de trabalho, afirmação de identidade e propósitos de vida. É neste período onde as bases para a vida adulta são fundamentadas e os questionamentos sobre velhos e novos caminhos são sinônimos do comportamento juvenil.

Mas em meio a tantas inovações e em um mundo em constante evolução, os jovens esbarram em um problema antigo, comum a várias faixas etárias, que é a dificuldade de lidar com suas próprias finanças. Uma recente pesquisa conduzida pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), identificou que quase metade (47%) dos jovens com idades entre 18 e 24 anos, nascidos dentro da chamada Geração Z, não realiza nenhum controle das finanças pessoais (47%). O motivo? A maioria alega desconhecimento (19%), preguiça (18%) ou a simples falta de hábito (18%).

Outro dado apontado pelo levantamento é que quatro em cada dez entrevistados já estiveram com o nome negativado (37%). Por outro lado, 53% afirmam controlar receitas e despesa, e apesar de bastante conectados, 26% ainda utilizam o tradicional bloquinho de papel para organizar o orçamento. “A Geração Z está vivendo seu período de formação intelectual num contexto social e cultural de intensas transformações, em que a todo momento surgem produtos e serviços mediados pela tecnologia. Esses jovens prometem ser a próxima grande força indutora do consumo e, na verdade, já tomam parte em muitas das decisões de compra de suas famílias”, comenta o presidente da CNDL, José Cesar da Costa.

A pesquisa realizada buscou compreender hábitos de gestão das finanças pessoais dessa geração, coletando insumos para o desenvolvimento de políticas públicas que contribuam com a melhoria do ambiente de negócios no país e, consequentemente, apóiem o desenvolvimento do varejo.

Renda – Ao contrário dos conhecidos “nem-nem”, quando o jovem não estuda nem trabalha, 78% dos entrevistados garantiram ter alguma fonte de renda, sendo que a maior parte (36%) trabalha com carteira assinada e 23% estão alocados em trabalho informal, fazendo bicos ou atuando como freelancers. É o caso de Ingrid Cristina de Paula, de 20 anos. Ela é estudante de Estética e trabalha como estagiária em uma clínica. Ela fazia parte dos 65% dos jovens da Geração Z que contribuem financeiramente com o sustento da casa. “Moro com meus pais e um irmão. Antes ajudava em casa, mas agora, como o salário do estágio é pouco, não dá mais para contribuir. Este ano, comecei a tirar R$ 50 do meu salário em uma poupança para fazer um curso que eu quero, mais na frente”, afirmou Ingrid.

Esse é outro aspecto interessante do levantamento. Apesar de um comportamento vanguardista, os jovens que afirmam guardar dinheiro investem em opções pouco ou nada rentáveis, como a poupança (53%) ou em casa (25%). Apesar de nunca ter tido o nome negativado, Ingrid revela que já se enrolou ao comprar um material de estudo oferecido por telefone, mas só pagou a primeira parcela. “Até hoje não negociei o restante, tenho que dar uma olhada”, brinca.

Em relação aos hábitos de consumo, 56% admitem que costumam ceder aos impulsos quando querem muito comprar algo, enquanto 47% às vezes perdem a noção de quanto podem gastar com atividades de lazer. “Meu salário vai para pagar meu cartão de crédito, que é basicamente formado por despesas com comida e Uber, mas confesso que às vezes a fatura vem maior do que eu pensava”, assume.

Educação financeira – O ensino sobre finanças é definido pela OCDE como “o processo mediante o qual os indivíduos e as sociedades melhoram a sua compreensão em relação aos conceitos e produtos financeiros, de maneira que, com informação, formação e orientação, possam desenvolver os valores e as competências necessários para se tornarem mais conscientes das oportunidades e riscos neles envolvidos e, então, poderem fazer escolhas bem informadas, saber onde procurar ajuda e adotar outras ações que melhorem o seu bem-estar.”

Especialistas são unânimes em afirmar que, quanto antes o indivíduo começa a entender formas de lidar com o dinheiro, menos sacrifícios terão que fazer no futuro, conseguirão poupar e terão mais consciência sobre suas escolhas. A discussão sobre inclusão de disciplinas de educação financeira na Base Nacional Curricular está atualmente parada, mas iniciativas nesse sentido ainda se multiplicam pelo país.

Mapeamento realizado pela Associação de Educação Financeira do Brasil (AEF-Brasil) identificou 1.383 iniciativas de instituições de ensino. Para Claudia Forte, superintendente da AEF-Brasil, colocar num papel cada receita e despesa é muito mais eficaz no controle de gastos do que recorrer à contabilidade mental. “As ações que realizamos têm sempre o objetivo de conscientizar o indivíduo sobre a importância da educação financeira, de modo que ele seja capaz de desenvolver uma relação equilibrada com o dinheiro e tome decisões acertadas sobre finanças e consumo e outros assuntos relacionados. Acreditamos que esse conhecimento tem impacto na vida das pessoas”, comentou Claudia Forte.

Tecnologia – Ao alegarem desconhecimento sobre controle de finanças, o cenário indica uma contradição, uma vez que a tecnologia facilita o acesso aos mais diversos conhecimentos. “Existem muitas informações disponíveis que não estão sendo aplicadas corretamente para o desenvolvimento pessoal. No mercado, produtos, serviços de orientação e aplicativos pessoais se multiplicam a cada dia, basta procurar”, alerta Claudia.

Praticamente seis em cada dez jovens ouvidos pela pesquisa da CNDL possuem cartão de crédito (57%). Destes, um terço tem um cartão digital com abertura e operação via internet (34%), enquanto 25% dos que têm conta bancária possuem somente em formato digital.

De olho no mercado jovem, o Next, banco 100% digital, oferece diversas opções para seus correntistas aprenderem a controlar finanças. No aplicativo básico, existem duas funções “Flow” e “Objetivos” que incentivam seus clientes a organizarem recursos, investirem e conquistar sonhos. Recentemente, o banco lançou uma webserie “Feitos&Boletos” no seu canal do YouTube, com uma linguagem leve e divertida, que leva ao público questões financeiras de personagens reais. O canal tem mais de 208 mil inscritos.

O que fazer com o dinheiro aos vinte anos?

– Invista em educação e qualificação profissional
– Busque aprender sobre finanças
– Tenha atenção aos gastos e despesas
– Guarde uma parte do que recebe
– Cuidado com o endividamento para não virar uma bola de neve
– Pense no futuro

 

Fonte: Varejo SA